quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Bora, pega um café e vem comigo


"A gente gosta dele, mas não sabe porquê. Por que, no fundo, ele não merece".

Foi o que eu falei para um amigo a respeito de um professor nosso de dança. Esse professor é mega rígido em classe, mas eu amo suas aulas e quando ele sai daquele papel durão, é uma belezinha de lindo!

Também tive uma professora de matemática, na 8ª série, que conciliava seu cargo de professora com o de Policial Militar, e olha, ela não ia armada às aulas, mas era como se fosse! Sabe aquela pessoa tipo nunca-me-olhe-diretamente-nos-olhos? Pois! Ela era autoridade em sala. Suas aulas eram perfeitas, ela sabia do que estava falando, sabia ensinar, se propunha a dar aulas de reforço fora do horário dela e nem ganhava nada por isso. Era ótima profissional, só que exigia de nós tanto quanto. E apesar do seu jeitão, até meio bruta de ser, eu também a adorava.

Sempre me dei melhor com esse método de ensino mais puxado. Relax demais não funciona comigo.

A faculdade? Foi assim também. Escolhi uma cuja qual me identifiquei completamente. Nada fácil. Nada vinha de bandeja. Perfeito!

Profissionalmente, sou super analítica, gosto de desenvolver sempre responsabilidades novas e mais difíceis, quando fica fácil demais perco um pouco do brilho nos olhos.

Bom, como estou temporariamente-desempregada-e-falida, eu mesma faço o papel de Tiarinha (minha terapeuta)... Por que eu gosto tanto de gente/atividades assim? Pessoas que "não merecem" (beeeem entre aspas!) que eu goste delas, mas que eu gosto tanto? Atividades que demandam tanto esforço, mas que me realizam tanto?

E olha, eu pego um amor por esse povo que vocês não fazem ideia. Serio.

Até ontem eu pensava "Se eles me cobram mais, é porque se importam. Enquanto estivem exigindo mais, é porque acreditam que posso chegar lá". Contudo, este é um pensamento muito umbigocentrista. Até parece que a pessoa desenvolve o método x de trabalho por causa de mim... Ahãm... Senta lá Claúdia!

Quem me conhece um pouco sabe o quanto sou exigente, e tem sido assim desde antes de eu me entender por gente... Ou você acha normal uma criança de 2 ou 3 anos não gostar de ficar descalça e pedir para lavarem suas mãos porque ela se sujou de terra? Ou brincar o dia inteiro num quintal cheio de árvores e plantas e gatos e mesmo assim terminar o dia naaaaada parecida com as crianças dos comerciais de sabão em pó? Oi? Nem uma manchinha? Não.


Daí alguém diz, "não... mas alguém ensinou ela". Vai pesquisar as roupas dos meus primos para ver (meus tios que cuidavam de mim durante o dia), ótimo campo de pesquisa para os tira manchas.


Meus pais nunca foram de conferir lição de casa, ver cadernos, coisas do tipo. Mesmo assim sempre fui uma das melhores da turma. Para ser bem honesta, minha mãe esqueceu de me buscar na escola no meu primeiro dia de aula, sim.... na 1ª série (só um desabafo) hahahaha... daí que deu um tempinho, cansei de esperar e devo ter pensado "já tenho 6 anos minha gente, tenho que saber voltar para casa sozinha"... esperei o semáforo ficar verde, atravessei a avenida e rapidinho fui para casa. Minha mãe quase teve um treco!

Enfim, deu para entender mais ou menos o nível de exigência da pessoa desde antes da formação da terra né?
Pois bem, hoje eu diria a Tiarinha que só posso chegar a uma conclusão; na verdade mesmo, gosto de gente assim porque me desafia e é bom de vez em quando ter ao meu redor pessoas que exijam mais de mim do que eu mesma. Sei lá, acredito que o normal seria este, não? Um toque de cobrança alheia? Talvez por isso que eu me dê tão bem com essa didática, afinal chega a ser confortante ter alguém que cobre mais de mim do que eu. Por mais contraditório que possa parecer, esses mentores casca grossa, me fazem um bem danado! É um alívio para tanta autocobrança.

Será que Tiarinha concordaria? Ou será que ela iria me fazer enxergar outro ponto de vista?

Bora tomar uma café e pensar no assunto.

2 comentários:

  1. Vc pode estar 100% correta, ou associar cobrança externa a afeto... PS-aprendi isto na terapia

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    1. "Associar cobrança externa a afeto", faz sentido e explicaria muitas coisas. Gostei e vou pensar nisso.

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