segunda-feira, 21 de maio de 2012

Ciclo do amor

É o ciclo da vida. Nascer, crescer, reproduzir e morrer. Normal, né? Só que não.

Não é tão simples assim quando é com alguém próximo, quando é com quem você ama. Não importa se ainda era jovem e tinha tudo pela frente ou se já era bem-bem velhinho. O fato é que nunca estaremos prontos para deixá-los ir.

Morte. Palavra curta e grossa. Escura e silenciosa. Você enxerga? Ela tem um peso próprio. É o que sinto quando ouço/leio essa palavra. Não sei explicar, ela é fria.

Aí vem alguém e usa palavras mais amenas. Descansou. Faleceu. Mas o clima ainda é frio, escuro, e mais do que silencioso. É mudo. É sentimento preso. É choro engasgado. É saudade.

E as lembranças boas tornam-se o alimento que te mantém em pé. As lições ensinadas, a força, a coragem, os exemplos de vida tornam-se a personificação daquele que por muito, ou pouco tempo, foi tão presente.

Uns se arrependem por não ter dado valor, outros agradecem a Deus por cada minutinho que passou ao lado da pessoa. Tem até aqueles que não estão nem aí. É mesmo uma pena que nem todos dêem valor a cada oportunidade de estar pertinho.

Depois que ela chega, não tem opção, não adianta se arrepender, querer ter feito isso ou aquilo diferente. Fica só o escuro, o frio, a saudade.

Eu amo o senhor vô, lembro de cada momento juntos. Lembro do seu jeitinho de tirar o sarro de todo mundo. De fazer arte o dia inteiro. De não parar quieto e de viver elegante. Lembro sempre do homem de fé que o senhor sempre foi. E da sua voz já trêmula cantando hinos. Você é lindo meu vôinho. E eu quero te ver, quero fazer carinho no sua cabeça e na sua mão macia. Me espera, por favor, que eu já to indo.

Mas que seja feita a vontade de Deus. Que o Senhor amenize toda dor, todo cansaço. Que Ele console a todos nós que estamos ficando, que nos fortaleça. Que abençoe principalmente minha vóinha, que há mais de 62 anos não sabe o que é ficar um só dia sem o amor da vida dela.

Melhor não pensar no ciclo da vida e pensar só no ciclo do amor: o amor nasce, cresce, se multiplica e nunca, nunca morre. O amor é eterno.

Com amor...

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Na crise dos vinte e poucos

Li que a expectativa de vida no Brasil é de 77 anos para as mulheres, isso significa que daqui a 8 dias eu já vou ter vivido quase um terço de tudo que tenho pra viver. E a forma como os anos estão passando tão rápido me assusta.

As coisas que fiz, o que construí, aonde cheguei, não é ruim, mas tudo parece tão pouco. E vago. E frágil. Como um castelo de cartas que não resiste a um ventinho de alguém que passa.

Não sei se é só uma fase, nem se é só uma das crises dos vinte e poucos.

Num dia todos seus amigos estão na mesma situação que você, e no outro dia uns já casaram, ou saíram de casa, mudaram de emprego, ou de cidade. Outros estão super bem resolvidos na vida, com suas convicções, com seus ministérios. Parecem seguir um roteiro certinho, sabe?

Fico com medo de estar caminhando na esteira. Ando, ando, corro, suo, me esforço, e continuo ali, no mesmo lugar. Fico com medo de me posicionar sobre algumas situações e me arrepender depois. É um medinho de não fazer nada e ficar na mesma (que não me agrada) e um medão fazer algo e conseguir piorar TUDO. O velho medo que me congela.

Não que nada tenha melhorado, não que eu não esteja fazendo coisas novas e diferentes. Mas sinto necessidade de planos mais palpáveis. Sinto necessidade de traçar um projeto e segui-lo. Quero construir algo meu, mas não quero sozinha.

Projetei mil coisas pra este ano, só fiz uma. E nem sei se ao menos estou fazendo bem feita esta uma, viu...


E se?

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Post sem título #2

Sabe quando você perde as forças? E desacredita dos sonhos?
Quando você sente que está andando em círculos ou patinando sem sair do lugar?
Sabe quando tem um grito preso, um nó na garganta?
Quando tudo que você quer é que a noite dure meses só pra não ter que ouvir o despertador tocar e você começar mais um dia?
Sabe quando o banho dura horas, na esperança que toda a dor desça pelo ralo também?
E quando a tristeza bate, e entra sem pedir permissão, e não sai?
Às vezes penso que o único jeito de tirar isso de dentro é através das lágrimas, mas elas secaram já faz um tempo, e a dor ficou sem ter por onde sair.
E a esperança? Essa também me larga às vezes, vai embora e me deixa aqui com a angústia.

Às vezes só quero alguém pra conversar, alguém que não me julgue.
Às vezes só quero alguém pra dar um abraço e pronto.
Às vezes só quero amor de verdade. Não sei se posso chamar isto de "só".

Sentimentos que doem, sentimentos que você sente sozinha, sentimentos que ninguém entende, então pra quê tentar explicar?
É tudo em vão... e uma hora passa.
Naquele banho demorado eu sussurro essa música. Daí sigo em frente. Mais forte.